Captura de Maduro gera comemoração e incerteza entre venezuelanos em Juiz de Fora
A repercussão da ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro chegou em Juiz de Fora, cidade que abriga a maior c...
A repercussão da ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro chegou em Juiz de Fora, cidade que abriga a maior comunidade de imigrantes venezuelanos da região. A ação, ocorrida na madrugada do último sábado (3), resultou na prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Nesta segunda-feira (5), Maduro participou de sua primeira audiência em Nova York, onde se declarou inocente e afirmou ser um “prisioneiro de guerra”. Diante do cenário de instabilidade, o g1 conversou com imigrantes que vivem no município mineiro para entender as expectativas de quem deixou o país vizinho. LEIA MAIS: O que se sabe sobre a captura de Maduro e o ataque dos EUA à Venezuela Reação dos imigrantes Segundo dados do painel da Polícia Federal, Juiz de Fora possui atualmente 3.141 imigrantes registrados. O grupo vindo da Venezuela é o mais numeroso, com 1.651 pessoas vivendo no município. Na sequência aparecem imigrantes de Portugal (242), Colômbia (215) e dos Estados Unidos (106). A imigrante venezuelana Giurka Rivas de García, de 60 anos, mora em Juiz de Fora desde 2019. Ela relata que a notícia da prisão de Maduro foi recebida com entusiasmo pela família, que vê no antigo governo um regime autoritário. Giurka Rivas de García com a família Arquivo Pessoal “Eu e minha família recebemos a notícia com alegria. Porque essa pessoa é um ditador que fez muitas coisas erradas na Venezuela”, afirmou Giurka, que atualmente busca colocação no mercado de trabalho através de cursos de costura. Apesar da comemoração, Giurka disse que teme o que pode acontecer com o país e com os familiares que permaneceram na Venezuela, como a mãe e a irmã. “Tenho medo de que entre alguém pior e a situação fique pior do que estava. Quero que todos os responsáveis sejam julgados pelo dano que fizeram”, completou. Venezuelanos que vivem em Juiz de Fora acompanham crise no país de origem Já a imigrante venezuelana Belinda Guerra, de 41 anos, vive em Juiz de Fora desde 2019. Segundo ela, a notícia foi recebida com felicidade, mas com receio. “Feliz, mas ainda falta muita coisa por acontecer, já que ainda tem pessoas socialistas e chavistas. Acredito que todo venezuelano está com ansiedade. Tememos o início de uma guerra”, disse. Imigrante venezuelana Belinda Guerra, de 41 anos Arquivo Pessoal O mesmo sentimento foi relatado pelo imigrante venezuelano Carlos Eduardo Sosa Morffa, que trabalha como cozinheiro em Juiz de Fora. “Foi uma mistura de emoções, mas principalmente alegria. Para nós, é a sensação de que a justiça começa a ser feita e de que existe uma luz no fim do túnel para a Venezuela”, afirmou. Análise internacional Apesar da repercussão política, especialistas apontam que a forma como a ofensiva foi conduzida gera controvérsias jurídicas. Em entrevista à TV Integração, o advogado especialista em Direito Internacional, Maurício Ejchel, destacou que a ação envolve interesses estratégicos sobre o petróleo venezuelano. “Se formos analisar com base nas convenções e nos entendimentos internacionais, percebemos que não se trata de um ato considerado legítimo. É um ato que foi feito pela força, com base em um grande potencial militar, sem declaração formal de guerra. Portanto, não houve apoio do Congresso norte-americano, sobre a lei do direito específicas, ela não é constitucional", explicou. De acordo com o especialista, a mudança no cenário político pode acelerar investimentos americanos não apenas na extração, mas também no beneficiamento do recurso em solo venezuelano. Situação atual Nicolás Maduro chega ao Tribunal Federal de Nova York para audiência Shannon Stapleton/Reuters Com a retirada de Maduro do poder, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma a presidência interina por 90 dias, visando garantir a “continuidade administrativa”. As Forças Armadas da Venezuela, por meio do ministro da Defesa, Vladimir Padrino, reconheceram a liderança de Rodríguez neste domingo (4). Paralelamente, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o país norte-americano está “no comando” da situação, enquanto monitora a transição em Caracas. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes