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Caso Backer: consumidora que teve insuficiência renal após beber cerveja contaminada receberá R$ 100 mil

Consumidor apresentou sintomas de intoxicação após beber a cerveja Belorizontina TV Globo/ Reprodução Uma consumidora de Viçosa, na Zona da Mata mineira, ...

Caso Backer: consumidora que teve insuficiência renal após beber cerveja contaminada receberá R$ 100 mil
Caso Backer: consumidora que teve insuficiência renal após beber cerveja contaminada receberá R$ 100 mil (Foto: Reprodução)

Consumidor apresentou sintomas de intoxicação após beber a cerveja Belorizontina TV Globo/ Reprodução Uma consumidora de Viçosa, na Zona da Mata mineira, receberá R$ 100 mil de indenização da Cervejaria Três Lobos, fabricante da marca Backer, após sofrer intoxicação pelo consumo de cerveja Belorizontina contaminada, em 2020. A mulher foi diagnosticada com insuficiência renal aguda e precisou passar por sessões de hemodiálise e procedimentos invasivos. A decisão é da 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que aumentou de R$ 50 mil para R$ 100 mil o valor da indenização. A mulher também terá direito ao ressarcimento de R$ 382 por despesas médicas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp O g1 entrou em contato com a Cervejaria Três Lobos para solicitar um posicionamento sobre a decisão judicial, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. De acordo com o processo, a consumidora comprou 45 unidades da cerveja Belorizontina em novembro de 2019 e outras 30 em dezembro do mesmo ano. No início de janeiro de 2020, ela começou a apresentar sintomas como diarreia, vômitos, dores abdominais intensas e tosse. Após procurar atendimento médico, foi diagnosticada com insuficiência renal aguda grave e acidose metabólica, quadro associado à intoxicação por dietilenoglicol e monoetilenoglicol, substâncias tóxicas identificadas durante as investigações sobre a contaminação de cervejas da fabricante. Segundo a ação, o tratamento exigiu sessões de hemodiálise e procedimentos invasivos. A mulher ficou internada por 19 dias e, mesmo após receber alta, apresentou sequelas, como perda de peso e de massa muscular. Ela também precisou adotar restrições alimentares e manter acompanhamento médico periódico. Em primeira instância, a indenização por danos morais havia sido fixada em R$ 50 mil. A consumidora recorreu, e o TJMG decidiu aumentar o valor. Provas confirmaram intoxicação Durante o julgamento, a cervejaria contestou a relação entre o consumo da bebida e o quadro clínico da mulher. A empresa alegou que não havia provas suficientes de que ela tivesse consumido cervejas dos lotes investigados e questionou os resultados dos exames realizados em garrafas remanescentes. O relator do recurso, desembargador Evandro Lopes da Costa Teixeira, considerou que as provas apresentadas demonstraram a relação entre a intoxicação e o consumo da bebida. Um exame realizado pelo Instituto Médico Legal (IML), da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), em uma amostra de sangue coletada no início do atendimento hospitalar, identificou ácido diglicólico no organismo da paciente. A substância é associada à degradação do dietilenoglicol. O magistrado também citou um relatório do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que apontou falhas na fábrica, como problemas de soldagem em tanques industriais, irregularidades no uso de fluidos e falhas na identificação de lotes e na rotulagem dos produtos. Ao justificar o aumento da indenização, o relator considerou a gravidade da intoxicação, o risco de morte e a possibilidade de comprometimento permanente da função renal. O pedido da cervejaria para limitar a incidência dos encargos à data do pedido de recuperação judicial também foi rejeitado. Os desembargadores Roberto Soares de Vasconcellos Paes e Amauri Pinto Ferreira acompanharam o voto do relator. Caso Backer O caso Backer ganhou repercussão no início de 2020, após a identificação de cervejas contaminadas por monoetilenoglicol e dietilenoglicol, substâncias tóxicas utilizadas em sistemas de refrigeração. As investigações apontaram falhas em equipamentos e no processo de produção que permitiram a contaminação das bebidas. O episódio resultou em 10 mortes e diversos casos de intoxicação grave. Parte dos sobreviventes apresentou sequelas permanentes. Em julho de 2023, a Cervejaria Três Lobos firmou um acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para reparar os danos relacionados à contaminação. O documento previa indenizações de R$ 500 mil para cada vítima de intoxicação e de R$ 150 mil para familiares de primeiro grau, além de outras formas de ressarcimento. A ação da consumidora de Viçosa foi analisada individualmente, com base nas provas apresentadas, incluindo exames toxicológicos, histórico de internação e documentos sobre as sequelas. LEIA TAMBÉM: Luzes de Natal em Juiz de Fora: licitação de quase R$ 2 milhões é cancelada por rejeição popular Auxílio Reconstrução: DPU e MPF recomendam convocação de quem teve pedido negado em Juiz de Fora ASSISTA: Rede de supermercados de Juiz de Fora retira cervejas da Backer das prateleiras Rede de supermercados de Juiz de Fora retira cervejas da Backer das prateleiras VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes