Costurando o futuro: Detento transforma aprendizado adquirido no presídio em confecção própria
Jovem transforma aprendizado em presídio em confecção própria Os erros do passado ficaram para trás. O recomeço ganhou forma por meio de linhas, agulhas e...
Jovem transforma aprendizado em presídio em confecção própria Os erros do passado ficaram para trás. O recomeço ganhou forma por meio de linhas, agulhas e máquinas de costura. No bairro Jóquei Clube, em Juiz de Fora, em um espaço que antes abrigava a lavanderia da mãe, o jovem Rafael Inácio, detento da Penitenciária Professor Ariosvaldo Campos Pires, mudou a própria história por meio de políticas de ressocialização. Rafael foi preso aos 20 anos e, após quase quatro anos em regime fechado, recebeu a oportunidade de trabalhar na oficina da marca juiz-forana Chico Rei, instalada dentro da unidade prisional da Chico Rei. “Eu estava na intenção de diminuir a pena e não de aprender. Até que caí na real e vi que precisava mudar de vida. Minha filha já estava com 6 anos e, quando ela nasceu, eu já estava lá. Só a vi quando saí da prisão. Minha mente mudou. Resolvi mudar de vida, abraçar a oportunidade e ir com força nela”, recordou o jovem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp O contato diário com o corte e a costura despertou em Rafael não apenas a aptidão para um novo ofício, mas também o desejo de se tornar empreendedor. Ao notar a capacidade do jovem, a empresa deu aval para que ele começasse o próprio negócio. Na primeira saída temporária, Rafael buscou o apoio de um advogado para formalizar o pedido à Justiça e conseguiu as primeiras máquinas. Com a autorização judicial e o apoio da mãe, que cedeu o espaço da casa, Rafael montou uma microempresa e recebe cerca de 400 camisetas cortadas da Chico Rei. Ele realiza a montagem completa e devolve as peças para que a marca faça a estamparia e a comercialização. Atualmente em regime semiaberto, o jovem trabalha durante o dia em casa e, depois, retorna à unidade prisional. Planos de expansão Camisa com a frase ‘O passado é uma roupa que não nos serve mais’, verso da canção Velha Roupa Colorida, de Belchior Reprodução/TV Integração A professora de costura Rosilene Gonçalves, conhecida como tia Rosinha, percebeu o interesse real do jovem e o ensinou em todas as etapas da costura na unidade prisional. Com o tempo, ele dominou a produção e tornou-se o ‘coringa’ da fábrica, apto a cobrir qualquer função. “Ensinar é maravilhoso, e saber que a pessoa toma isso como uma mudança de vida e para recomeçar torna tudo muito mais especial. O Rafa é um exemplo”, afirmou a professora. 'Andar de cabeça erguida' Rafael Inácio aprendeu costura na prisão e agora abriu uma confecção própria em Juiz de Fora Reprodução/TV Integração O desejo de crescer acompanha a vontade de ajudar outras pessoas que enfrentam as mesmas dificuldades de inserção no mercado de trabalho. Ele projeta expandir a oficina e contratar ajudantes. “Se todos tivessem a oportunidade de ressocialização, de um trabalho, de mudar a cabeça e de estudos, eu acho que muitas pessoas não iriam continuar nessa vida”. Apoiado na fé e no desejo de dar orgulho à família e aos que o acolheram na saída do sistema prisional, Rafael celebra a conquista de andar de cabeça erguida e o encerramento do ciclo antigo. "É uma roupa que não serve mais. A partir de agora, o meu futuro é isso daqui", finalizou. LEIA TAMBÉM: Ex-detento conclui estudos na prisão e agora cursa medicina: 'Uma nova forma de ver a vida' Curso gratuito de costura e confecção de adereços é oferecido em Juiz de Fora Rafael Inácio aprendeu costura na prisão e agora abriu uma confecção própria em Juiz de Fora Reprodução/Redes Sociais VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes